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sexta-feira, 11 de março de 2011

MAL-EDUCADO X HIPERATIVO X INDISCIPLINADO

A criança, até seus três anos de idade, apresenta um comportamento, muitas vezes irrequieto, com verborragia repetitiva, identificada por alguns adultos como papagaio – imita tudo que vê e ouve. Tudo quer para si, na maioria das vezes, chora e grita para conseguir algo de sua cobiça momentânea; num ímpeto, bate na mãe ou na babá, corre incansavelmente e muitas outras atitudes que podem estar presentes nessa fase da infância. A mãe diz: “é normal é da fase”. É uma graça.
O tempo passa e o comportamento se agrava; vem a fase dos nomes feios, aumenta a gritaria – tudo pede aos gritos, e os pais, pensando em ficar livres do incômodo, ou com o receio de serem indiretamente criticados pelos outros, pelo filho mal-educado, atendem com precisão; principalmente quando isso ocorre diante de uma visita ou num shopping.  Nem sempre, uma criança indisciplinada é mal-educada. A indisciplina poderá ser resultado do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDA/H). Içami Tiba (2002) diz que as pessoas hiperativas não significam serem mal-educadas, mas que se sentem mais à vontade sob o pretexto de serem consideradas "doentes" a fim de facilitar a aceitação de seu comportamento impróprio. De acordo com Zagury (2005) na faixa etária, até cinco anos, muitas vezes ocorrem comportamentos inadequados, mas que não prejudicam ninguém. A autora diz ainda que, as emoções ainda são muito fortes e pouco controladas e que nesses casos é melhor fingir que não vimos para que tenhamos menos embates com a criança.
O problema fica mais grave, quando o comportamento da criança começa a tumultuar na sala de aula, e os pais precisam marcar presença na escola ou assinar os bilhetes de notificação de conduta do filho. E agora!? O que pensar de uma criança, oriunda de uma família de comportamento exemplar, ter um comportamento indesejável? O excesso de mimo poderia ser a explicação para as atitudes dessa criança, ou, a mesma poderá ser portadora de TDA/H (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade). No excesso de mimo a criança tudo pode e nada lhe é cobrado; suas ações não tem limites, e vai crescendo sem ter conhecimento ou sem receber orientações que a verdadeira liberdade precisa, ter algumas restrições ou limites, o que pode formar uma criança mal-educada.
Quando observarmos uma criança em uma família em que todos tem comportamentos inadequados, será fácil diagnosticar o seu comportamento. Uma criança que cresce em meio a gritos, xingamentos, seja uma vida desregrada, dificilmente será uma criança tranqüila. Quando ocorre, ela adquiriu o senso crítico, mas terá dentro de si uma inquietação que poderá explodir nos momentos oportunos. Será difícil para os familiares mal-educados perceberem algum exagero no comportamento de sua criança, pois gritar, xingar os outros, de fora de do mesmo grupo é natural, portanto, não percebem tais exageros. Um comportamento inadequado, logo na fase inicial da vida do indivíduo poderá ser um pedido de socorro; um hiperativo deverá ser acompanhado pelo neuropediatra e um indisciplinado deverá conhecer alguns limites importantes para  viver melhor em sociedade.
     Para Rizzo (1985) as crianças hiperativas dão muito trabalho à professora, não somente na escola infantil, como no fundamental e médio. Um hiperativo será sempre hiperativo, por mais que na idade adulta seja mais ponderado, pelo conhecimento do problema. O hiperativo, não o é porque quer, nem porque adquiriu no meio em que vive ou grupo social de convivência mais prolongada, como é o caso do indisciplinado, que possivelmente não lhe deram limites, orientações para uma vida salutar – tudo deram, permitiram sem nada cobrar.
A criança hiperativa necessita de acompanhamento neurológico, familiar e pedagógico. Isso envolve escola/família e equipe multidisciplinar. A agitação da criança hiperativa, concordando com Rizzo não deve ser  combatida, mas proporcionar atividades variadas que ocupem a criança o maior período de tempo possível dando a ela liberdade de escolha e de movimentos.    Dentre as repercussões gerais que se verificam no paciente hiperativo não tratado estão as maiores dificuldades no rendimento escolar, no relacionamento familiar e social, fatores que podem desencadear distúrbios comportamentais importantes, independente de sua classe social, o hiperativo não tratado pode ter uma tendência maior para ingressar no mundo das drogas e até mesmo na delinqüência. Topazewski (1999) diz que depende da classe social, coisa que atualmente não condiz com enunciado; os jovens de classe média e alta perfazem os altos índices de usuários e tráfico de drogas, associando a isso, a prática de roubos, assaltos, latrocínios, estupros e suicídios.
Uma criança mal-educada poderá ser aquela que não recebeu orientações suficientes para uma vida em sociedade, ou o excesso de mimo impediram os pais de dizer não para ela quando necessário, dando-lhe tudo sem nada cobrar, demonstrando que tudo é fácil de conseguir, é só querer, não importando a forma como se queira ou como será conseguido, o objeto do desejo. E que pode ser no grito. Ela poderá ser agressiva, com os pais, professores, amigos e demais pessoas que a cercam.  
A criança indisciplinada poderá ter recebido algumas orientações, mas seus pais, ou a pessoa que a criou, não era um exemplo de pessoa organizada, portanto, também não saberá cobrar devidamente que essa criança saiba organizar seu armário de roupas, de sapatos, os gaveteiros, seus livros, brinquedos, até mesmo horários a cumprir, etc., no entanto, poderá não ser agressiva. Este comportamento tem semelhança com o hiperativo, sendo que o portador de TDA/H tem um déficit de atenção que poderá prejudicá-lo na escola, pela dificuldade de concentração e atenção. Muitas vezes, o hiperativo por pensar em desarmonia com os movimentos, atropela sua escrita, ou corta a frase sem perceber, e quando questionado que esqueceu alguma partícula da frase, faz a leitura completa, sem perceber a ausência de uma preposição importante, por exemplo.
REFERÊNCIAS
RIZZO, Gilda. Educação Pré-Escolar. Rio de Janeiro – RJ. Francisco Alves, 1985.

TIBA, Içami, Quem ama educa, São Paulo – SP, Gente. 2002.
TOPAZEWSKI, Abram, Hiperatiavidade: como lidar? Casa do Psicólogo. São Paulo – SP. 1999.
ZAGURY Tania, Limites sem traumas, Rio de Janeiro - RJ. Record. 2005
Maria Ednar de Sousa Façanha
Pedagoga – Esp. Psicopedagogia e Saúde Mental.

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